Ancestralidade,  Lifestyle,  Mãe Terra,  Mulher Sagrada,  Rituais,  Treze Luas

Plantar a Lua

Há uma lenda que conta que antigamente todas as mulheres sangravam sincronizadas aos ciclos da lua, a Lua nova convidava a vida na terra a retornar para si, os animais ficavam em suas tocas, as seivas das plantas concentravam-se nas raízes e as mulheres sangravam e teciam as relações com todas as formas vivas, visíveis e invisíveis.

Existiam tendas vermelhas que acolhiam as mulheres no período da lua para que em proteção e união partilhassem desse estado de vulneabilidade visionária dos sonhos do mundo.

A vida era harmoniosa nessas sociedades, compartilhavam dos mistérios dos astros, das terras e dos mares entre si.

Não sei ao certo quando nem porque, mas houve um estágio de ruptura onde ocorreram longas guerras por posses e dominação social.

As mulheres foram castradas, os animais dominados, a terra foi delimitada e os homens supra julgados.

As tendas vermelhas foram desmanchadas e as mulheres deixaram de entregar seu sangue para a terra, elas começaram a sentir nojo de seu corpo e angústia por sua vida.

O sangue da guerra se manteve escoando raízes adentro para compensar a falta do sangue de vida menstrual. Tempos difíceis, sombrios e apáticos..

A lenda conta que quando todas as mulheres retornarem para si e entregarem seu sangue para a terra não haverá mais necessidade do sangue da morte em guerras, e a paz e a sabedoria se reestabelecerá pela sociedade, entraremos em uma nova era.

Mulheres, somos aquelas por quem estávamos esperando, somos netas, bisnetas, tataranetas de mulheres queimadas em praças públicas, mulheres sagradas que foram caladas, estupradas e negadas pela sociedade. Somos bruxas, somos feiticeiras e anciãs.

Plantar a Lua é honrar o sangue de morte que gera a vida, é criar a profunda conexão entre nosso ventre criativo e a vida manifesta.

⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
Você planta sua Lua?

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *