Retorno ao Culto da Sacralidade Feminina

A mãe virgem retrata o primário potencial criador feminino. Esta mãe virgem não diz respeito à humanos, fala sobre a criação primordial da vida. Seria improvável a união pré-existencial dos gêneros, pois a vida é gerada pelo princípio feminino que contém em si sua própria criação e posteriormente a procriação do segundo gênero, o aspecto masculino da vida. À partir do encontro da mãe criadora de si e o filho potencial a diversidade é exaltada e a multiplicidade de criaturas é semeada e germinada no ventre da vida.

Nosso planeta Terra tem aproximadamente 4,6 bilhões de anos. Sabe-se que os primatas, classe a qual pertecem os homens e macacos, surgiram há 70 milhões de anos. O ancestral comum do homem, o chimpanzé, apareceu há cerca de 25 milhões de anos. Já os primeiros hominídeos apareceram na Terra entre 3 e 1 milhão de anos atrás. (1)

Os cientistas acreditam que os primeiros representantes do homem moderno existiram no planeta há 200 mil anos. Contudo, o homem inteligente com raciocínio como conhecemos só existe na Terra há 12 mil anos. E por volta do quarto milênio a.e.c. a maior parte das sociedades agrícolas desenvolveu formas de desigualdades entre homens e mulheres, um sistema geralmente chamado de patriarcal – onde há o domínio do gênero masculino nas relações sociais. (2) Este modelo impôs sua estrutura ao longo dos últimos 6 milênios, e neste momento planetário temos a oportunidade de reconhecer nossa verdade interna e optar pelas ações conscientes de nosso reflexo na teia de relações e construção do sonho planetário.

O princípio feminino está intrinsecamente ligado a condição existencial da vida, à partir da mãe, há o potencial criativo da gestação contida em cada semente. Desta forma germinam as árvores que nos permitem respirar, brotam os frutos que nos energizam, nascem os filhotes das espécies planetárias e universais. O princípio masculino viabiliza a diversidade criativa, trazendo ainda mais abundância e possibilidade ao que há. A união transcendental entre os gêneros fomenta a multiplicidade da criação.

Por milênios houve a castração da personificação do princípio feminino, a mulher. Submersos nas crenças limitantes do patriarcado, o sistema social enclausurou seu máximo potencial criativo em uma realidade baseada nas necessidades internas do sistema social. A mulher foi proibida de exercer pensamento crítico, julgada indefesa, histérica, limitada, estuprada cotidianamente , não digna de sua real existência e desvalorizada, aprisionaram sua vida à mercê das necessidades masculinas.

Entretanto vivemos noutro momento. Os dias atuais guardam a grande responsabilidade da escolha, temos a oportunidade de gestar a nós mesmos. O potencial criador feminino e o potencial desseminador masculino está contida em todas as formas de vida, afinal fomos gerados pela união desses aspectos. Homens e mulheres são convocados a conscientemente escolher seus caminhos, a nutrir a vida que nasce todos os dias, a acolher esta gestação de si e do sonho do planeta.

Caminhar com reverência à vida. Honrar a bênção do Sol, o oxigênio das árvores, a diversidade de espécies, o fluxo das águas, as raízes que sustentam o planeta, o silêncio inspirador que a Lua manifesta. Respeitar nosso corpo e as relações humanas.

O movimento de auto-observação e acolhimento de nossa essência refletirá externamente com atitudes conscientes. Esteja presente e atento, de momento a momento são infinitas as possibilidades, defina seus princípios para caminhar alinhado ao fluxo criativo da vida. E lembre-se, a gestação é um rito de vida e morte, gestar a si é acolher a verdade interior, re-significar, permitir morrer para aceitar quem se é.

O culto a feminilidade está em honrar tanto a morte quanto a vida. A morte como possibilidade de nutrir novamente o ciclo de vida e a vida como fluxo de energia constante. Esta reverência parte do principio de respeito ao que é. Esse respeito deve ser refletido em nossas atitudes cotidianas voltadas à nós com o respeito emocional, psicológico e físico, o respeito ao nosso corpo. E o respeito às múltiplas formas que vida que são geradas pela união do principio criativo feminino e disseminador masculino, logo, devemos ter responsabilidade com o lixo diário produzido e que representa o final do ciclo pré morte, responsabilidade com os animais que vivem no planeta, e principalmente responsabilidade com as sábias árvores que possibilitam nossa vida terrestre. Honrar a mãe terra!

A mulher, como personificação da essência feminina tem em sua natureza a capacidade alquímica de mutação e autotransformação. Contém em si a alquimia interna menstrual do ciclo vida/morte/vida, o início de cada ciclo é um novo começo com infinitas possibilidades para re-significar e purificar sua verdade interior. O instante planetário convoca as mulheres a acolherem umas as outras, a co-criarem novos paradigmas de transformação. À partir do reflexo da feminilidade sana os homens e o universo masculino será permeado por consciência e auto-observação nutrindo sua mente consciente de cura. Iniciará assim, a busca complementar da unidade sagrada entre os pólos da criação universal.

Não é possível estimar tempo para esse estado da humanidade. É preciso caminhar, à passos curtos e inteiros, caminhar de forma consciente nesta jornada de autoconhecimento, uma jornada que possibilita escolher nossas ações, que trará acolhimento à quem se é, independente dos erros e acertos, libertando-nos da imagem ideal a quem devemos ser. Um trabalho de aceitação e individualização como ser consciente e agente transformador.

Referências:

(1) http://www.sitedecuriosidades.com/curiosidade/o-ser-humano-existe-na-terra-desde-quando.html

(2) http://www.editoracontexto.com.br/blog/as-origens-das-civilizacoes-e-do-patriarcado/

(3) Vivências e percepções internas

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